Redação do Enem, da Fuvest e da Unicamp na prática
O treino de redação muda conforme a banca. No Enem, você desenvolve um texto dissertativo-argumentativo e propõe uma intervenção. Na Fuvest e na Unicamp, examine o gênero e as instruções de cada proposta. Reconhecer quem escreve, para quem e com qual finalidade ajuda a decidir como usar a coletânea.
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Você aprendeu a defender uma posição, mas acaba de receber uma proposta que pede uma carta. O assunto lhe é familiar. Mesmo assim, a abertura que funcionou no treino para o Enem pode soar estranha se a carta for dirigida a alguém que já conhece o problema. Antes de procurar um repertório ou contar quantas linhas restam, leia o comando como uma instrução de trabalho. O que o leitor deverá entender, sentir ou considerar depois de ler o seu texto?
No Enem, faça a intervenção nascer da discussão
A cartilha do Inep orienta a produção de um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal. Você defende um ponto de vista sobre o tema e apresenta uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Ao fazer o rascunho, ponha a causa que pretende discutir ao lado da ação que imagina. Se uma não conversa com a outra, ainda há tempo para ajustar o recorte.
Suponha que a proposta de treino trate das dificuldades de acesso a bibliotecas. Você explica por que os horários de abertura afastam estudantes que trabalham. Encerrar com uma campanha de doação de livros deixaria esse argumento sem resposta. Uma ação voltada ao atendimento em horários acessíveis pode se encaixar melhor. Será preciso explicar quem poderia organizá-la e como ela atenderia às pessoas afetadas. O guia sobre a proposta de intervenção aprofunda esse passo.
Na Fuvest, identifique o que muda entre as opções
Uma prova já aplicada pela Fuvest ofereceu uma coletânea sobre o perdão. O candidato podia desenvolver um texto dissertativo-argumentativo ou escrever uma carta a uma personagem que o havia acusado injustamente. Era possível refletir sobre a mesma questão moral nas duas opções. O trabalho de escrita, porém, mudava desde a primeira frase.
Na dissertação, caberia sustentar uma posição sobre o perdão e discutir seus limites. Na carta, seria preciso explicar à pessoa responsável pela acusação por que ela receberia ou não o perdão. A forma de tratamento, o que essa pessoa já sabe e a relação entre os interlocutores passam a organizar o texto. Naquele exercício, havia inclusive uma orientação específica para a assinatura. Ao treinar com outra edição, confira o comando dela antes de repetir uma convenção da prova anterior.
Na Unicamp, procure as pistas de interlocução
O programa da Comvest destaca a relação entre gênero, situação de produção e circulação. Leia a proposta procurando quem escreve, em que papel, onde o texto vai circular e o que precisa fazer com as informações fornecidas. Retome a coletânea depois dessa leitura. Assim fica mais fácil distinguir a passagem que ajuda a atender ao pedido de outra que apenas menciona o tema.
Volte ao exemplo inventado da biblioteca. Imagine que você represente o grêmio e deva escrever um comunicado para levantar os horários em que os colegas poderiam frequentá-la. Para agir, os leitores precisam entender a razão da consulta e como responder. Uma explicação extensa sobre a história das bibliotecas pode consumir o espaço que faria falta para essas instruções. Se a tarefa fosse uma carta do grêmio à direção, o destinatário já seria outro e você precisaria justificar a mudança pretendida.
Plano de exemplo
Separe uma proposta passada de cada banca e mantenha os comandos à vista. Em cada folha, anote quem assina, quem lê, a ação esperada e uma exigência que não pode faltar. Quando um desses elementos não vier especificado, registre isso em vez de inventar um destinatário. Escreva a abertura de cada texto e peça a alguém que identifique a qual tarefa ela pertence.
Na revisão, volte ao trecho em que você usou a coletânea. A passagem sustenta sua tese, responde à pessoa que recebeu a carta ou ajuda os colegas a participar da consulta? Essa pergunta dá um critério concreto para a reescrita. Para praticar a adaptação do texto ao pedido sem trocar de tema, o guia de respostas escritas no vestibular oferece outro exercício de leitura do comando.
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Dúvidas frequentes
Preciso propor uma intervenção em toda redação de vestibular?
A intervenção faz parte da redação do Enem. Nas outras provas, leia o comando para saber se ele pede uma proposta de ação e que função ela deve cumprir.
Posso usar o mesmo argumento em gêneros diferentes?
Uma ideia pode ser aproveitada se ajudar a cumprir a nova tarefa. Uma carta a uma pessoa específica e um texto dirigido a um público amplo exigem escolhas diferentes de voz e justificativa.
Como escolho entre propostas quando a banca oferece opções?
Leia os comandos por inteiro. Compare o que você teria a dizer em cada situação e qual parte da coletânea conseguiria usar com precisão. Observe também as instruções formais da opção escolhida.
Fontes consultadas
- Cartilha de redação do Enem · Inep
- Abordagem esperada para as propostas de redação · Fuvest
- Programa de redação do Vestibular Unicamp · Universidade Estadual de Campinas, Diário Oficial do Estado de São Paulo

